Há um vazio.
Um vazio no meu céu que não consigo preencher com nada que existe nesse mundo. É um vazio do muito que há em mim e não vê saída, não vê meios de se expressar e me liberar. O muito me corrói. O vazio me destrói.
Como se eu não tivesse ainda descoberto a melhor maneira de expressar todos aqueles pontinhos brilhantes de poeira de estrela que brilham dentro de mim e não conseguem sair pelos buracos da peneira que passo através dos métodos mais variados. Eles brilham com intensidade quando ouço ou leio pessoas que conseguem chegar próximo do que há dentro de mim e não foi ainda liberto.
E eu tento.
Mas nada sai, nada entra. Além do vazio momentaneamente ser preenchido com vapores que logo se esvanecerão dentro do vácuo que o transformará em nada. Novamente. E de novo.
Sinto como se meu invólucro não fosse aguentar e, a qualquer momento, a explosão iminente se dará e trará a tranqüilidade desejada por toda a vida. Mas é tudo uma ilusão. Ela não virá. O vazio do céu sem sonhos permeados por sonhos que meus dedos não conseguem tocar permanece. E assim será até o dia em que eu finalmente descobrir como e me descobrir nele chegar.
Meus olhos cansados parecem não enxergar ou imaginar quando isso será.
Será que virá?